Suzana Nunes
A beleza está nos olhos de quem lê.
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A imagem que vemos no espelho não é apenas a estampa exterior de nós mesmos que enxergamos, aquela que primeiro nos apresenta. Ela guarda marcas e impressões deixadas pelo tempo, sem as quais não seríamos o que somos hoje. Cada um de nós é um amontoado de lembranças, um quebra-cabeças cujas peças são as experiências vividas refletidas em nosso comportamento e imagem de agora.

Por esta razão, pessoas de diferentes classes sociais e cultura procuram variados recursos para buscar, no passado, explicações e soluções para suas mazelas atuais. Vemos gente buscando a espiritualidade, as terapias de regressão, o hipnotismo, todas em busca de respostas que as ajudem a superar medos, vícios, limitações, desafios pessoais. Muitas delas descobrem - com surpresa - conflitos escondidos, velados, nunca imaginados, guardados por muitas vezes desde o útero. Ao confrontarem seus próprios espinhos, a maioria delas consegue a cura para suas feridas.

De igual maneira, nosso país guarda na memória nacional os aspectos do passado, e estes constituem a cultura de que hoje fazemos parte, e nos influencia dia-a-dia à medida que construímos nosso futuro.

A colonização de exploração a que este território foi submetido, e as marcas da corrupção imperial ainda se fazem presentes em nosso cenário, influenciando e muitas vezes determinando as escolhas que fazemos hoje, quando elegemos nossos dirigentes e decidimos os rumos políticos do país. Mais do que isto, esta cultura se reflete no cotidiano, nas pequenas decisões que tomamos em nossa vida, as quais, somadas, formam o ideário nacional.

A inconsciência coletiva nos faz caminhar como um rebanho sem pastor, fácil de ser manipulado e levado em qualquer direção. Assim, nosso futuro vai sendo traçado pelas mãos de outros. O despertar da consciência tem suas raízes na educação. É através dela que passamos a ter condições de analisar o passado e medir sua influência no presente, podendo assim projetar um futuro onde o peso do determinismo cultural seja sentido apenas até onde decidirmos permitir, ou até onde nos seja benéfico.

As marcas do passado que todos nós carregamos, seja individual ou coletivamente, só podem ser modificadas e abandonadas depois que nos conscientizamos da existência delas. Do contrário, o futuro será apenas uma reprodução incessante dos equívocos anteriores, com maquiagem nova.

Conhecer a História e sua influência em nossa cultura são condições primordiais para que os  erros do passado não se repitam.
 
Suzana Nunes
Enviado por Suzana Nunes em 11/09/2009
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